“Ricardo Coutinho é acusado de trair Lula após criticar PPP da Cagepa enquanto governo federal usa modelo de forma recorde.”

Um internauta acusou o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) de “trair Lula” após o petista criticar a Parceria Público-Privada do esgotamento sanitário da Cagepa e associar o modelo a “captura do Estado”, “transferência de lucratividade” e “contratos suspeitíssimos”. A manifestação ocorreu em uma publicação nas redes sociais sobre a PPP, que prevê cerca de R$ 3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos em 85 municípios da Paraíba.
Ricardo, que tenta se apresentar como aliado de Lula na Paraíba, comentou uma publicação do comunicador Edgley Lopes e elogiou as críticas feitas ao projeto. “Você foi cirúrgico, preciso e verdadeiro, Edgley. É exatamente isso. ‘Captura do Estado’, transferência de lucratividade e contratos suspeitíssimos onde a equação financeira foi montada para uma empresa. Sua fidedignidade aos fatos foi o que eu vi de mais explicativo nessa encruzilhada que envolve a maior empresa da Paraíba”, escreveu o ex-governador.
A crítica, no entanto, foi rebatida por um internauta, que apontou contradição entre o posicionamento de Ricardo e a política adotada pelo próprio governo Lula em âmbito nacional. “Ricardo, Ricardo… tu nem assumiu e já tá traindo Lula? Foi no governo do nosso presidente que ampliou o número de PPP exatamente pra evitar a privatização. E essa PPP da Cagepa foi modelada por 3 anos pelo BNDES do presidente Lula. Deixa de ser falso!”, escreveu.
O questionamento faz referência ao avanço das concessões e PPPs no governo federal. Levantamento da Folha de S.Paulo mostrou que o atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao fim de 2025 com o maior volume de concessões de infraestrutura da história do Brasil. Foram 50 leilões federais de rodovias, portos e aeroportos entre 2023 e 2025, número superior ao registrado nos governos de Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.
Além disso, levantamento da Radar PPP divulgado pela CNN Brasil apontou que os contratos de Parcerias Público-Privadas assinados apenas no primeiro semestre de 2025 somaram R$ 82 bilhões em investimentos. No período, foram registradas 232 novas iniciativas, 104 editais publicados e 66 contratos assinados no país.
O próprio governo federal também tem defendido mudanças para fortalecer esse tipo de instrumento. Em fevereiro de 2025, o Ministério da Fazenda informou que o ministro Fernando Haddad trabalhava com o Congresso para modernizar as leis de concessões e PPPs, com o objetivo de ampliar a segurança jurídica dos contratos e reduzir incertezas para novos investimentos.




