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Ao Vivo Nem 8 Nem80: “A reabilitação é fundamental para todas as deficiências, afirma Helena Holanda.”

A reabilitação é um pilar essencial no cuidado com pessoas com deficiência, independentemente de a condição ser adquirida, clínica ou nata. Helena Holanda, que há décadas atua diretamente com pessoas com diferentes tipos de deficiência e síndromes, acumulando experiência prática e resultados concretos.

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Segundo Helena, o acompanhamento precisa ser feito por uma equipe multiprofissional, envolvendo áreas como fisioterapia, fonoaudiologia, odontologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, serviço social, educação física, além de atividades artísticas como música e teatro. “Cada deficiência tem uma característica diferente, e todas precisam, sim, de reabilitação”, destaca.

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Ela explica que, no caso das deficiências intelectuais e síndromes mentais, muitos apresentam afinidade com a água, a música e a arte, e gostam de mostrar aquilo que são capazes de fazer. Para Helena, o processo de desenvolvimento deve partir do indivíduo. “Eu, particularmente, tenho uma teoria: é deles para nós. Porque da gente para eles, a gente vai querer impor, e não pode. Cada caso é um caso”, afirma.

Helena chama atenção para a diversidade dentro de um mesmo diagnóstico. “Cada pessoa com síndrome de Down é diferente. Um fala, outro não fala, um anda, outro não anda, um é alérgico, outro não é. O mesmo acontece com a deficiência intelectual, física, mental, com a dupla deficiência, a tripla deficiência, com o autismo e o TDAH”, relata.

Além dos quadros mais conhecidos, Helena destaca que sua instituição atende síndromes raras, muitas vezes inexistentes em outras entidades. Entre elas, cita condições genéticas pouco aparentes, mas com necessidades específicas, como a síndrome de Edwards, a síndrome de Patau e outras variações raras. “São muitas síndromes que não são visíveis, mas que têm características completamente diferentes. E todas precisam de reabilitação”, reforça.

Para Helena Holanda, a reabilitação não é apenas um tratamento pontual, mas uma manutenção contínua, voltada para potencializar o que cada pessoa já possui. Ela relata experiências marcantes ao longo de sua trajetória, como pessoas com síndrome de Down que não falavam e passaram a cantar, depois a falar, dançar e se expressar. “Hoje eles cantam, falam, dançam. Alguns se tornaram atletas nacionais comigo, na natação, nos 100 e 200 metros”, lembra.

O reconhecimento ao trabalho é refletido na forma como a instituição é vista pela comunidade. “Muitas pessoas dizem que a instituição é uma casa de luz. Eu demorei dez anos para entender que isso era uma missão que Deus me deu”, afirma Helena.

Ela relembra que sua caminhada começou no Instituto de Cegos e enfrentou muitas resistências. Um dos episódios mais marcantes foi quando decidiu levar pessoas cegas para desfilar. “Disseram que a responsabilidade não era deles. Mesmo assim, eu fui. Peguei minha família, vizinhos, amigos, e fomos para a rua. Daquele dia em diante, nunca mais paramos”, conta.

Hoje, Helena aponta que mudanças logísticas e falta de estrutura dificultam a participação em eventos públicos, como longas esperas, calor excessivo, falta de banheiros adequados e de suporte básico. “Tem pessoas que não entram em banheiro químico porque têm medo. Às vezes, não há água, não há estrutura. Isso também é inclusão”, conclui.

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