Foram 15 parcelas do Auxílio Emergencial, entre 2020 e 2021. Na época, Cabo Gilberto era deputado estadual — e Nayana já tinha um relacionamento com ele. Agora, diante da repercussão, ela aparece em vídeo tentando se afastar da história com uma explicação: “a gente ainda não era casado”.
Mas essa resposta não apaga o que realmente importa. Não ser casada no papel não significa que os dois não tivessem uma relação. E, na minha leitura, foi justamente isso que o vídeo tentou deixar de lado: o vínculo que já existia enquanto o benefício era recebido.
Nayana contou uma história triste, falou do pai, da família, das dificuldades e da necessidade de ajudar dentro de casa. Também mencionou um imóvel de R$ 900 mil, dizendo que era dividido com parentes e não representava renda para ela. Só que o drama pessoal não pode servir de escudo para impedir perguntas. O choro pode comover; não responde por que foram 15 parcelas nem esclarece toda a situação financeira daquele período.
Enquanto muita gente não tinha o que comer e se virava para pagar aluguel, o auxílio era apresentado como socorro para quem enfrentava a emergência da pandemia. Nayana afirma que precisava ajudar a família. Então que explique tudo com clareza — inclusive por que fez questão de falar do casamento, se a relação com Cabo Gilberto já existia.
E há um detalhe político que torna tudo ainda mais constrangedor: Cabo Gilberto hoje se apresenta como defensor de Deus, pátria e família. Pois bem. Quando o dinheiro público entrou nessa história, a família já estava presente — mesmo que ainda não houvesse casamento no papel.
“Deus, pátria, família e dinheiro no meu bolso.” A frase é pesada, mas o caso exige respostas à altura. Quem recebeu dinheiro público precisa explicar. E quem tenta escapar da pergunta com emoção e formalidade só faz o público perguntar ainda mais.

