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“Pedro Cunha Lima diz que Caiado está mais à direita do que ele, critica polarização e cobra debate sobre rumos da Paraíba.”

Em entrevista exclusiva ao programa Nem 8 Nem 80, o ex-candidato ao Governo da Paraíba, Pedro Cunha Lima, afirmou que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem um perfil mais à direita e mais conservador do que o seu, mas defendeu a convivência de diferentes correntes ideológicas dentro do PSD como parte da construção de uma alternativa nacional à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a entrevista, Pedro também voltou a fazer críticas ao governo da Paraíba, sobretudo na área da educação, e disse que a oposição precisa manter o enfrentamento político e ampliar o debate sobre o futuro do Estado.

Segundo ele, a disputa de 2022 foi importante para romper um cenário de acomodação e fazer críticas a práticas que, na avaliação dele, continuam presentes na administração estadual. “Em 2022, muita gente dizia que a eleição ia ser WO. A gente lançou uma candidatura, se levantou para fazer um enfrentamento, para espalhar ideias e apontar problemas que, infelizmente, ainda permanecem acontecendo”, afirmou.

Pedro citou como exemplo recente o afastamento de gestoras escolares em São João do Rio do Peixe, que, segundo ele, teria ocorrido por critérios políticos e não técnicos. Para o ex-candidato, esse tipo de prática compromete a gestão da educação pública e demonstra a permanência de uma lógica de interferência política em setores que deveriam ser conduzidos com responsabilidade administrativa.

Ele também criticou a condução de políticas educacionais do governo do Estado. Segundo Pedro, houve casos em que material de apoio para alfabetização chegou aos municípios apenas no fim do ano letivo, o que, na visão dele, revela desorganização e falta de compromisso com a aprendizagem das crianças. “O maior instrumento de combate à desigualdade é ensinar uma criança a ler e escrever na idade certa”, disse.

Outro ponto levantado foi a situação das creches anunciadas pelo governo estadual. De acordo com Pedro, mais de uma centena de obras estariam paralisadas, prejudicando milhares de crianças e famílias paraibanas. Ele ainda mencionou o cancelamento de um contrato milionário da Secretaria de Educação, reforçando o discurso de que a Paraíba precisa de mudanças e de um novo modelo de gestão.

Ao comentar o cenário político nacional, Pedro afirmou que o PSD tenta ocupar um espaço alternativo entre os dois polos que dominam o debate no país. Segundo ele, o partido abriga diferentes visões ideológicas, mas tem como objetivo oferecer uma opção a eleitores que não se sentem representados nem por Lula nem por Bolsonaro.

“Caiado está mais à direita do meu pensamento. Caiado é mais conservador do que eu. Isso está posto. Mas a gente convive com essa diversidade de pensamento para fortalecer esse caminho, que é difícil, mas necessário, de oferecer ao Brasil uma alternativa”, declarou.

Pedro também destacou o papel do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, a quem atribuiu a capacidade de manter o partido aberto à convivência entre diferentes perfis políticos. Para ele, o momento exige maturidade e disposição para construir soluções fora da lógica da polarização.

Na avaliação do ex-candidato, além da disputa nacional, a Paraíba precisa aprofundar o debate local e enfrentar práticas que, segundo ele, seguem enraizadas na estrutura do poder. Pedro afirmou que continuará exercendo um papel de militância, enfrentamento e oposição ao modelo atual, defendendo mudanças na forma de conduzir áreas estratégicas como educação e gestão pública.

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