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“Atiradores questionam distribuição de recursos no tiro esportivo da Paraíba.”

A polêmica sobre o uso de recursos públicos no tiro esportivo da Paraíba continua gerando repercussão. Depois de críticas envolvendo o desembargador Abraham Lincoln e das declarações do presidente de clube de tiro Fagner Diniz, novos questionamentos começaram a surgir entre atletas do próprio esporte.

Um dos relatos chegou ao Blog do Silva por meio de um atirador que decidiu se manifestar após os recentes debates dentro da comunidade do tiro esportivo no estado.

Segundo ele, a discussão que vem sendo feita sobre aceitar ou não verbas públicas seria superficial. Para o atleta, o problema não é a existência do recurso, mas a forma como esse dinheiro estaria sendo administrado e distribuído.

De acordo com o relato, atualmente existem mais de 150 atletas federados na Paraíba, mas apenas um grupo reduzido estaria representando o estado em etapas do Campeonato Brasileiro. O custo estimado para essas participações, segundo informações discutidas em reuniões internas, poderia chegar a cerca de R$ 100 mil por etapa, o que representaria aproximadamente R$ 600 mil ao longo do ano, considerando seis etapas da competição.

Enquanto isso, atletas que participam das etapas do campeonato estadual teriam um investimento médio de cerca de R$ 400 por prova, valor que inclui inscrição, deslocamento e custos básicos.

Na avaliação do atirador, se o orçamento anual do sistema esportivo gira próximo de R$ 2 milhões, o debate que deveria estar sendo feito dentro da modalidade seria sobre critérios, transparência e equilíbrio na distribuição dos recursos.

Outro ponto levantado é a prioridade dos investimentos. Para ele, direcionar grande parte do dinheiro para viagens, passagens aéreas e hospedagens em competições fora do estado, enquanto a base local ainda carece de incentivo e estrutura, levanta questionamentos sobre o modelo de gestão esportiva adotado.

O atleta também menciona a prática de trazer competidores de outros estados para representar a Paraíba em disputas nacionais, algo que, segundo ele, pode gerar resultados imediatos, mas não contribui para a formação e valorização dos atletas locais.

O debate ganhou ainda mais repercussão porque o nome do deputado federal Cabo Gilberto Silva vem sendo citado por alguns atletas nas discussões sobre o apoio ao tiro esportivo no estado.

Nos bastidores do esporte, a pergunta que começa a ecoar entre praticantes e dirigentes é direta: os recursos públicos estão sendo usados para fortalecer o tiro esportivo na Paraíba ou para beneficiar apenas um grupo restrito de competidores?

O espaço segue aberto para manifestações da federação, dirigentes e das autoridades citadas.


Abaixo, a íntegra da manifestação enviada ao Blog do Silva por um dos atiradores:

Prezados amigos do tiro,

Peço licença aos administradores para expor aqui minha opinião diante dos acontecimentos recentes no cenário do tiro esportivo na Paraíba. Sinto a necessidade de fazer uma reflexão mais crítica — e inevitavelmente política — sobre o momento que estamos vivendo, já que não podemos expor nossa opinião no grupo oficial.

Primeiro ponto: a enquete sobre aceitar ou não verbas públicas. Com todo respeito, trata-se de uma discussão superficial. É evidente que qualquer modalidade esportiva organizada precisa de recursos para se desenvolver. Ainda mais quando falamos de dinheiro público — ou seja, recursos provenientes dos impostos pagos por todos nós. A questão central nunca deveria ser se devemos receber verbas, mas como essas verbas são administradas.

O verdadeiro debate precisa ser sobre critérios, transparência e justiça na distribuição.

Hoje temos mais de 150 federados no estado, enquanto uma equipe reduzida representa a Paraíba em etapas do Campeonato Brasileiro, com um custo declarado de aproximadamente R$ 100.000 por etapa (exposto na última reunião que participei). Considerando cerca de seis etapas anuais, estamos falando de algo próximo a R$ 600.000 por ano direcionados basicamente a um grupo específico.

Em contraste, o investimento médio por atleta nas etapas do campeonato estadual gira em torno de R$ 400 por prova — valor que cobre inscrição, alimentação, deslocamento e suporte básico.

Se o orçamento anual se aproxima de R$ 2 milhões, estamos falando de um potencial médio superior a R$ 12.000 por atleta federado. A pergunta política que precisa ser feita é: essa distribuição atende ao princípio da isonomia?

Quando recursos públicos são direcionados majoritariamente para passagens aéreas, hospedagens e restaurantes, em detrimento de treinamento técnico, estrutura local, formação de novos atletas e fortalecimento dos clubes do estado, precisamos discutir prioridades.

Investir fora do estado enquanto a base local carece de incentivo não parece uma estratégia de desenvolvimento esportivo sustentável.

Outro ponto sensível é a prática de trazer atletas de outros estados para representar a Paraíba em competições nacionais. Isso pode até gerar resultados imediatos, mas enfraquece o propósito maior de formar e valorizar atletas locais. Política esportiva séria se faz com base sólida, não apenas com vitrine.

O debate que deveria estar sendo feito é sobre governança:

• Quais são os critérios objetivos para distribuição das verbas?
• Existe transparência plena nas decisões?
• A base está sendo fortalecida ou apenas uma elite competitiva?

Se a diretoria acredita na democracia interna, por que não promover uma enquete — ou melhor, uma assembleia deliberativa — sobre o modelo de aplicação dos recursos?

Não se trata de ser contra o Brasileiro, nem contra equipes de alto rendimento. Trata-se de discutir política esportiva com maturidade. Recursos públicos exigem responsabilidade pública.

Essa é minha opinião, fundamentada na defesa de uma gestão mais equilibrada, transparente e voltada para o desenvolvimento coletivo do tiro esportivo na Paraíba.

Reflitam sobre isso.

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