A falta de obras nos bairros, a inexistência de políticas sociais efetivas e denúncias de possíveis irregularidades administrativas marcaram uma entrevista ao vivo com o vereador Erivan, diretamente do município de Mari. Segundo o parlamentar, a população vive um cenário de abandono e frustração com a atual gestão municipal.
De acordo com o vereador, ao procurar por obras nos bairros da cidade, o resultado é sempre o mesmo: não há intervenções em andamento. “As ações chamadas de sociais existem apenas no papel. São legislações milionárias que não são executadas. Não chegam ao povo e não têm nada de social”, criticou.
Promessa de continuidade que virou decepção
A prefeita de Mari foi eleita com o discurso de continuidade da gestão do ex-prefeito Antônio Gomes, que contou com apoio político do deputado Wellington Roberto. No entanto, segundo Erivan, a realidade é completamente diferente do que foi prometido durante a campanha.
“O povo está arrependido, e não tem como não estar. A expectativa era de continuidade, mas a gestão veio na contramão, marcada por incompetência e descaso”, afirmou o vereador.
Denúncia grave: computadores pagos e não entregues como contratado
Um dos pontos mais graves da entrevista foi a denúncia envolvendo a compra de 200 computadores para a rede municipal de ensino. Professor e vereador, Erivan afirmou que a Prefeitura informou ao Tribunal de Contas a compra de equipamentos com configuração superior, avaliados em cerca de R$ 2.450 cada.
No entanto, segundo ele, os computadores entregues aos professores possuem configuração muito inferior, com valor de mercado estimado em R$ 1.100.
“O que recebemos não atende às necessidades pedagógicas. É um computador que mal liga. Isso é enganar professores, enganar o povo e enganar os órgãos de controle”, denunciou.
Falta de água nas escolas e na zona rural
Outro problema apontado é a crise no abastecimento de água, que atinge tanto a zona urbana quanto a rural. Segundo o vereador, o problema básico ainda não foi resolvido e afeta diretamente escolas e comunidades.
“A água é um direito social, e o povo de Mari continua sofrendo. Na zona rural, a situação é ainda mais grave”, disse. Questionado sobre como professores e alunos lidam com a falta d’água, Erivan confirmou que o problema persiste e que a categoria segue cobrando soluções.
Ar-condicionado que só existe na prestação de contas
Além da água, o vereador também questionou a climatização das escolas. Segundo ele, a gestão prestou contas ao Tribunal de Contas informando a compra de aparelhos de ar-condicionado, mas a realidade nas unidades escolares é outra.
“Você vai às escolas e não encontra salas climatizadas. O que é informado ao Tribunal não corresponde ao que o povo vê. É imoral”, disparou.
Gastos milionários com festas sob suspeita
Erivan também levantou dúvidas sobre os gastos com eventos e bandas, que podem ter chegado a quase meio milhão de reais, incluindo estrutura e locação de palco. Segundo ele, nem a Secretaria de Cultura soube informar oficialmente os valores.
“Vou ficar atento para que esse tipo de gasto seja esclarecido e, se houver erro, que seja corrigido”, afirmou.
Câmara e imprensa pressionam por respostas
Durante a entrevista, foi reforçado o convite para que representantes da gestão municipal compareçam ao programa para explicar as denúncias. A proposta é levar entrevistas ao vivo, com questionamentos diretos, como já ocorre em João Pessoa.
“O povo de Mari precisa ser ouvido. A cidade está pedindo socorro”, concluiu o vereador.
A entrevista completa será transformada em uma série de reportagens no Programa Nem 8 Nem 80, com acompanhamento antes, durante e após as sessões da Câmara Municipal.

