Em entrevista no Nem 8 Nem 80, Tony Henriques fez um alerta contundente sobre a grave crise hídrica que atinge municípios do Curimataú e do Seridó paraibano, com destaque para Picuí. Segundo ele, a população espera há mais de 16 anos pela chegada efetiva da água da Transparaíba, obra anunciada ainda no governo do ex-governador Ricardo Coutinho, mas que até hoje não resolveu o principal problema da região: o abastecimento regular de água.
De acordo com Tony, toda a etapa da Transparaíba foi concluída até a última cidade que faz divisa com o Rio Grande do Norte, Frei Martinho, inclusive com a infraestrutura já implantada. No entanto, o ponto crucial segue sem resposta: não existem reservatórios suficientes para garantir o abastecimento das cidades.
“O que a gente precisa naquela região é água. Não temos mais reservatórios capazes de abastecer os municípios. A população está clamando”, afirmou.
90 dias sem água nas torneiras
A situação em Picuí é descrita como crítica. A cidade já se aproxima de 90 dias sem água encanada, dependendo exclusivamente de carros-pipa. O custo é alto: mil litros de água chegam a custar entre R$ 35 e R$ 40, valor pesado para famílias de baixa renda.
Para tentar minimizar o problema, a Prefeitura instalou caixas d’água de 5 mil litros em bairros mais afastados do centro, realizando abastecimento emergencial. Ainda assim, a demanda supera em muito a capacidade de atendimento.
“A demanda é gigante, tanto na cidade quanto na zona rural. Picuí tem um público muito grande no campo, e não adianta só construir cisterna se não tem água para abastecer”, pontuou Tony.
Manancial à beira do colapso
Atualmente, o único manancial em funcionamento é o Açude do Açú Tamanduá, que, segundo estimativas, deve garantir água por no máximo mais 40 dias. Caso a água da transposição não chegue dentro desse prazo, o colapso será inevitável.
Nesse cenário, os carros-pipa terão que buscar água em municípios distantes como Araçagi, Guarabira e Pico, o que deve gerar um efeito cascata, afetando não apenas Picuí, mas várias cidades do Curimataú e do Seridó.
“Vai ser um problema enorme, não só para Picuí, mas para diversas prefeituras da região”, alertou.
Mais que perfuração de poços
Ao final, Tony Henriques chamou atenção para o fato de que soluções paliativas, como perfuração de poços, não resolvem o problema estrutural da região.
“A questão não é só perfurar poço ou fazer cisterna. É garantir água. Sem isso, todo o sistema entra em colapso.”
A fala reforça o sentimento de abandono vivido pela população, que vê a obra da Transparaíba passar diante de seus olhos, mas a água continuar longe das torneiras.

